"Ele me agredia verbal e fisicamente"

November 30, 2016

O “Segredos de Intercambista” é um espaço criado por Priscila Sanches para que você possa compartilhar a sua história e assim ajudar e alertar outras pessoas! 

 

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HISTÓRIA #8 - "O principe que virou um monstro" 

 

"Olá meninas, estou aqui para dividir com vocês uma experiência que eu tive há três anos, durante o meu intercâmbio de au pair. Essa é uma história muito delicada, a pior coisa que me aconteceu até hoje, e sou muito grata a Priscila por nos dar a oportunidade de dividir com vocês histórias que possam servir de exemplo para evitar que passem pelas mesmas situações. 

 

Quando eu comecei o meu intercâmbio morava no Arizana, onde fiquei por apenas um mês, mas não me adaptei com a família por motivos que não valem a pena citar agora e acabamos decidindo pelo rematch, encontrei uma família em Massachusetts e me mudei. Assim que cheguei conheci alguns caras, tive alguns dates legais, mas nada que valesse a pena levar adiante, até que certo dia conheci um rapaz e começamos a nos envolver mais sério, eu estava completamente apaixonada e pelo que ele dizia, também sentia o mesmo. Ele era um verdadeiro príncipe, fazia tudo por mim, vivia fazendo declarações de amor, nós estávamos sempre juntos, eu passava os fins de semana na casa dele, até que no final de semana que comemoraríamos quatro meses juntos ele propôs uma viagem romântica, foi tudo maravilhoso, ele disse que queria se casar e ter filhos comigo, que tinha certeza que eu era a mulher da vida dele, entre outras coisas. Eu sentia como se estivesse vivendo um sonho, tinha encontrado o homem com quem eu viveria pra sempre. 

 

Passaram-se algumas semanas após essa viagem e descobrimos que eu estava grávida; eu tinha apenas 21 anos, fiquei muito feliz com a notícia, saber que estava carregando um filho dele, do homem que eu amava, mas ao mesmo tempo senti medo, afinal, não tinha a ideia de ter filhos tão cedo, ainda tinha muita coisa que eu gostaria de fazer na vida antes de ter essa responsabilidade, mas ele já tinha seus 30 e poucos anos, uma vida estabelecida, sendo assim ele ficou extremamente feliz e empolgado com a ideia de ser pai. No mesmo dia que fiz o exame de sangue e confirmei a gravidez, ele me convenceu a conversar com a minha hf e em seguida com a lcc para abandonar o programa e ir morar com ele, a essa altura eu já não tinha nenhuma dúvida do amor dele por mim, não tinha mais medo e não pensava em mais nada a não ser construir uma família com ele. 

 

Durante uns dois meses eu levei uma vida de princesa, era ainda mais mimada que antes, ele conseguiu ser ainda mais amoroso e carinhoso... até que em certo momento as coisas começaram a mudar. 

 

Ele começou a arrumar motivos idiotas para brigar, jogava na minha cara todas as coisas que fazia por mim, me xingava de todos os palavrões possíveis e dizia que eu era uma aproveitadora que só queria o dinheiro dele e o famoso green card, que a gravidez havia sido proposital, essas coisas, ele começou a dormir fora, me deixava em casa sozinha, sem dar notícias por dias, até que por estar cansada de tantas ofensas e falta de respeito, tivemos uma briga horrível, onde ele me agrediu fisicamente, me deu um murro que me derrubou, mas não foi o suficiente pra ele que continuou me agredindo mesmo caída no chão, até que por muita sorte uma amiga minha apareceu em casa, ele rapidamente se recompôs e começou a me pedir perdão, dizia que não sabia porquê tinha feito aquilo, que não voltaria a acontecer, a minha amiga ficou desesperada, quis me tirar de lá o mais rápido possível e eu sem pensar duas vezes comecei a arrumar minhas coisas e estava decidida a voltar para o Brasil, onde tinha a minha família me esperando de braços abertos, o problema é que eu não tinha dinheiro, porque ele havia me proibido de trabalhar, alegando que não precisava, que eu tinha que ficar em casa cuidando de mim e do nosso bebê, a minha família no Brasil também não tinha esse dinheiro, então fui pra casa da minha amiga que dividia o apartamento com mais uma colega e fiquei alguns dias por lá, ele me ligava e mandava mensagens o dia inteiro, toda noite aparecia pra me pedir pra voltar e pedir perdão, até que depois de muita insistência eu tomei uma decisão, a pior que eu poderia ter tomado na vida e voltei pra casa com ele. 

 

Não demorou muito pra ele recomeçar com as agressões verbais e físicas, e desta vez estava pior, ele dizia que se eu saísse de casa novamente, se contasse pra alguém o que acontecia naquela casa assim que eu tivesse o bebê ele sumiria com ele, que nunca mais eu veria o meu filho (a propósito, era um menino), outras vezes dizia inclusive que me mataria, até que um dia ele me bateu tanto que eu perdi o nosso bebê. Depois disso, ao invés de ficar ao meu lado, me dar força e me ajudar a passar pelo que ele mesmo tinha causado, ele dizia que eu tinha matado o filho dele, que eu era uma "vadia que não servia pra nada", que tinha nojo de mim e que um dia eu iria dormir e não acordar mais. Ele me estuprou algumas vezes, me deixava sem comida, tirou meu celular, notebook e qualquer meio de comunicação que eu poderia ter, até que em determinado momento ele simplesmente me expulsou de casa com a roupa do corpo e disse que nunca mais queria me ver, que se alguém soubesse de alguma coisa ele me acharia em qualquer lugar do mundo e me mataria. 

 

Então eu voltei a morar com a minha amiga, fiquei lá por alguns meses, enquanto tentava trabalhar como nanny e lidar com o trauma do que tinha me acontecido. Ele nunca mais me procurou, e depois de conseguir juntar algum dinheiro, comprei uma passagem e voltei ao Brasil. Hoje moro com os meus pais novamente, faço terapia, sofro muito com a dor da perda do meu filho e tenho certeza que essa dor durará pra sempre, mas Deus me dá forças para levantar todos os dias e continuar a viver. Só eu sei o quanto gostaria de poder voltar no tempo e fazer tudo diferente, eu só queria poder ter meu filho comigo, mas infelizmente aquele monstro o tirou de mim e por muito tempo me senti culpada por achar que eu permiti isso, mas hoje entendo que a culpa não foi minha, eu só quis manter a minha família e acreditar que ele voltaria a ser o homem amoroso e maravilhoso que me conquistou.

 

Enfim, espero de verdade que nenhuma de vocês passe por uma situação parecida. E se acontecer, por mais difícil que seja, lutem, não tenham medo como eu tive. 

 

O meu medo custou a vida da pessoa mais importante pra mim e eu nunca mais fui a mesma e nem acho que possa voltar a ser um dia.

 

Obrigada por lerem a minha historia, 

 

C.K." 

 

 

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Sobre Mim

Priscila Sanches, aquariana de 27 anos que mora em Montreal, CA.

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