"Era para ser mais um encontro do Tinder, mas deu até policia e eu fui parar no hospital"

November 8, 2016

 

Muitas historias diferentes acontecem durante o ano de intercâmbio, muitas coisas preferimos manter em segredo por medo e insegurança. Algumas historias tristes, outras difíceis e complicadas.

O “Segredos de Intercambista” é um espaço criado por Priscila Sanches para que você possa compartilhar a sua história e assim ajudar e alertar outras pessoas! Para enviar ANONIMAMENTE a sua historia, clique aqui!

 

 

HISTÓRIA  #1 - O ENCONTRO DO TINDER QUE DEU POLICIA E LEVOU UMA AU PAIR AO HOSPITAL

 

(imagem ilustrativa)

 

"Vim dividir minha história porque acho que o que aconteceu eh meio sério demais pra guardar só pra mim e meio difícil demais pra ser identificada.

 

Sou grata pela Priscilla ter dado essa oportunidade de anonimamente alertar as outras pessoas. Pois bem, eu, como muita gente aqui recorri ao tinder para achar uma pessoa que me aquecesse nesse inverno. Eu nunca curti a ideia de tinder porque esse negocio de conhecer uma pessoa por fotos e meia dúzia de palavras me deixava meio apreensiva. Porém, depois de ver várias histórias felizes pensei: por que não!?

Eis, que um cara me deu like e veio falar comigo. Respondi depois de uns dias e ele sempre se mostrou muito interessado e tals. Ele quis marcar um encontro e minhas amigas me obrigaram a ir. Eu não tinha gostado dele tanto assim, mas tb n tinha nada melhor pra fazer. No fim tivemos um date maravilhoso! Jantamos, bebemos, conversando e ele seguia sendo super gentil e agradável. Saímos mais umas quatro vezes e estávamos realmente nos dando bem.

Um dia, ele me chamou para ir a casa dele e eu não vi motivos para não ir, já que o tempo todo ele se mostrou super do bem, interessado é um cara super legal. Fui.

 

"Estava no apartamento dele e as coisas começaram a esquentar e tive a brilhante ideia de fazer oral nele... Foi quando eu olhei pra cima e vi que, enquanto eu chupava ele, ele estava me filmando, com um celular gigante e sem minha permissão."

 

Eu fiquei louquíssima! Peguei o celular ( um iPhone sete, inclusive, que hoje descansa em paz) e joguei longe! E começamos uma briga gigante dentro do quarto pra ver quem pegava o celular primeiro... Ele pegou! Eu gritava igual louca pedindo o celular e ele tentando explicar o por que tava fazendo aquilo! Eis que na briga, eu soquei a cara dele e ele não sei porque, na realidade, me empurrou e eu bati meu cotovelo na quina da parede ( não, ele não me bateu!) enfim, meu cotovelo quebrou.

Eu comecei gritar e chorar desesperadamente dentro do quarto e ele ficou com medo de alguém ouvir e finalmente me deu o celular dizendo que não tinha vídeo nenhum e que estava mandando text pra mãe dele --' . Ele disse que eu podia fuçar tudo e não ia achar nada, mas deus soprou no meu ouvido e quando eu abri o Snapchat o vídeo estava lá. Peguei o celular e joguei na privada, dei descarga três vezes e continuou funcionando. Piquei ele na parede, continuou funcionando aquela bosta. Comecei a gritar pra ele me levar no hospital, ele ficou desesperado com a situação, eu fiz a louca e falei que se ele n me levasse eu ia quebrar a casa inteira. Ele me levou. Eu estou no segundo ano e meu seguro eh o básico do básico, disse pra ele que ele que seria responsável pela conta ou eu chamaria a polícia. Ele tremeu, ficou verde e disse que pelo-amor-de-deus eu não chamasse a polícia.

Eu cheguei no hospital falando que eu tinha caído no banheiro e me machucado. Acharam estranho pelo pânico na cara dele e começaram a meio que me interrogar. Eu estava tão atordoada e não queria mesmo chamar a polícia, ter que explicar aquela história constrangedora, não sabia se eles iam envolver a minha host family ou a agência... Só queria que ele fosse responsável pela conta, apagasse o vídeo e nunca mais olhar na cara dele. Pois bem, a moça chegou para pegarmos dados que quem ia pagar a conta e ele se recusou a dar os dados dele e ainda se referiu a mim como se eu fosse louca. Aí, meus amigos, fiquei louca de verdade! Quando peguei meu celular pra dar as informações dele, ele tinha apagado TUDO dele do meu celular. TUDO. Eu eu fiquei possuída e mandei chamar a segurança. Em dois segundos tinha uma guarda falando comigo, uma equipe interrogando ele e outra bloqueando a saída. Eu não me senti intimidade ou com vergonha de absolutamente nada, pois tinha na minha cabeça que não era eu que estava fazendo algo errado e de coração não queria que nenhuma outra menina passasse por aquilo. Mas foi horrível. Viramos evento no hospital!

Os guardas vasculharam o celular dele atrás do vídeo, ele falava o tempo todo que eu estava mentindo e por um tempo acreditaram nele... Ele só confessou porque eu falei que iria sim chamar a polícia e que eles achariam o vídeo. Ele confessou, mas depois de umas duas horas... Foi resolver a questão da conta e voltou pedindo e implorando zilhões de desculpas e depois me tratou igual uma rainha, mas pra mim já não fazia mais diferença, pq né!?...Me instruíram a não chamar a polícia pq, na verdade, ele n tinha me batido e sim eu que tinha batido nele e isso poderia me prejudicar de alguma forma. Fiquei com medo e não chamei. Ficamos a madrugada toda no hospital. Ele ficou comigo.

Fui pra casa me sentindo um lixo e contei tudo para minha host mom que graças a Deus, me entendeu, não me julgou e me ajudou de todas as formas possíveis. Ela disse que eu deveria sim ter chamado a polícia e me falou para fazer um report. Fiz. Em dois segundos a assistente social estava falando comigo, me perguntou se eu me sentia ameaçada, se precisava de algo... Ele foi enquadrado na lei de violência doméstica e emitiram uma ordem de restrição onde ele não pode se aproximar ou falar comigo... O detetive (sim, rolou até detetive!) ficou louquíssimo quando eu disse que fui instruída a não chamar a polícia e disse que eu devia ter feito isso sim.

O babado tá rolando ainda e não sei como vai acabar... Mas foi uma das piores, mais assustadoras é mais frustrantes situações da minha vida. Eu não sabia o que ele podia fazer comigo naquele apartamento e toda vez que um homem me encara na rua eu fico me perguntando se ele n me viu em algum vídeo vazado por aí (sim, dava pra ver TODA a minha cara ). Não achamos o vídeo, porém com toda essa tecnologia... A lição que aprendi eh: tomem todo cuidado possível por que nós nunca conhecemos a pessoa de verdade. NUNCA deixe de ir atrás dos seus direitos. Não importa como estamos aqui ou fazendo o que. SEMPRE teremos direitos.

 

Eu sinto orgulho do que eu fiz,da minha coragem e uma felicidade imensa por todas as mulheres que me ajudaram nisso: a guarda, a minha amiga, minha host, a delegada, a policial, a assistente social, A Priscila! Todas elas ficaram tão chocadas quanto eu, tão empáticas, tão revoltadas é tão incrédulas quanto eu. Essas mulheres me deram e me dão força pra passar por isso da melhor forma e aprendi que nada eh mais forte que todas nós juntas, umas pelas outras! Abusadores não passaram! 💜"

 

 

 

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Priscila Sanches, aquariana de 27 anos que mora em Montreal, CA.

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